Curso Básico de CLP — Siemens S7-1200

Aula 01 • Fundamentos de Automação e CLP
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Aula 01 — Fundamentos

O que é um CLP e por que ele domina a automação industrial?

Nesta aula você vai entender, de forma direta e prática, o que é um Controlador Lógico Programável (CLP), como ele se encaixa em um sistema automatizado e quais conceitos você precisa dominar antes de abrir o TIA Portal.

Objetivos da Aula

  • Definir o que é um CLP e diferenciar de relés e microcontroladores.
  • Entender o ciclo de varredura (scan) e a lógica determinística.
  • Conhecer o básico de I/O (entradas e saídas) e sinalização industrial.
  • Entender a “cadeia” Sensor → CLP → Atuador → Processo.
Resultado esperado: você sai desta aula conseguindo “ler” um processo simples e imaginar a lógica Ladder necessária para automatizá-lo.

1) Conceitos essenciais

Um CLP (Controlador Lógico Programável) é um computador industrial projetado para controlar máquinas e processos com alta confiabilidade, tempo de resposta previsível e robustez elétrica.

CLP × Relés × Microcontrolador

  • Relés: lógica “física” (fiação), difícil de alterar e expandir.
  • CLP: lógica “em software”, manutenção e diagnóstico mais rápidos, modularidade.
  • Microcontrolador (ex.: ESP32): ótimo para IoT, mas geralmente exige mais engenharia para nível industrial (EMC, proteção, certificações, determinismo).
Visão de campo: CLP é o padrão quando você precisa de confiabilidade, manutenção rápida e integração industrial.
Determinismo Robustez Diagnóstico Manutenção

2) Ciclo de varredura (Scan)

O CLP executa o programa em ciclos repetitivos. Esse comportamento é o que dá previsibilidade à automação.

Como funciona (modelo simplificado)

  1. Lê entradas (sensores, botões, chaves, contatos auxiliares, etc.).
  2. Executa lógica do programa (Ladder/LAD, FBD, SCL, etc.).
  3. Atualiza saídas (contatores, válvulas, sinalizadores, inversores via comando, etc.).
  4. Repete o ciclo.
SCAN LOOP: Inputs -> copiar estados físicos para memória (imagem de entrada) Logic -> processar redes (networks) Outputs -> copiar memória para saídas físicas (imagem de saída) Housekeeping/Comm -> diagnósticos e comunicação repeat...

Em aplicações reais, existem recursos como interrupções, OBs (blocos organizacionais), e tarefas de comunicação, mas o conceito do scan é a base.

3) Entradas e saídas (I/O)

Entradas e saídas são o “ponto de contato” do CLP com o mundo real.

Entradas (Inputs)

  • Digitais: 0/1 (botão, fim de curso, sensor indutivo PNP/NPN via interface adequada).
  • Analógicas: valores contínuos (0–10V, 4–20mA) — nível, pressão, temperatura, vazão.

Saídas (Outputs)

  • Digitais: liga/desliga (contator, solenóide, lâmpada piloto).
  • Analógicas: referência (ex.: setpoint de inversor, válvula proporcional).
Regra de ouro: Sensor “informa”, CLP “decide”, Atuador “age”.

4) Arquitetura típica de um sistema

Uma automação simples pode ser vista como uma cadeia funcional:

[ Processo ] -> [ Sensor ] -> (Entrada I) -> [ CLP ] -> (Saída Q) -> [ Atuador ] -> [ Processo ]

Componentes comuns

  • Comando: botoeira Start/Stop, chave seletora, IHM.
  • Sensoriamento: fim de curso, indutivo, capacitivo, pressostato, boia de nível.
  • Potência: contator, relé térmico, inversor, soft-starter.
  • Sinalização: sinaleiro, buzzer, torre andon.
Importante: CLP não “substitui” potência. Ele comanda elementos de potência (contatores, inversores, etc.).

5) Exemplo prático (processo simples)

Cenário: motor de bomba com comando por botoeira e intertravamento por proteção.

Requisitos

  • Start liga a bomba.
  • Stop desliga a bomba.
  • Se o relé térmico atuar, a bomba desliga e só volta após reset.

Mapeamento mental (sem endereços ainda)

Entradas: START (botão NA) STOP (botão NF) TERMICO_OK (contato NF do relé térmico = "ok" quando fechado) Saídas: BOMBA (contator/inversor) Memória: SELAGEM (bit para manter ligado)
Na Aula 05 você vai programar esse exato exemplo em Ladder no TIA Portal (com selagem correta).

6) Quiz rápido (fixação)

Responda e clique em Corrigir. O resultado fica salvo.

1) Qual afirmação define melhor um CLP?

2) No ciclo de varredura (scan), o CLP normalmente faz:

3) Qual exemplo é tipicamente uma entrada digital?

Dica: acerte 3/3 para marcar a aula como concluída.

Checklist do aluno (antes da Aula 02)

Próxima aula (Aula 02): Conhecendo o S7-1200 (CPU, módulos, I/O integradas e comunicação).
Quando você quiser, eu gero a Aula 02 no mesmo padrão.
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Engenheiro de Software Roberto Vitor Vilela