Curso Básico de CLP — Siemens S7-1200

Aula 02 • Conhecendo o S7-1200 (CPU, módulos e comunicação)
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Módulo 02 — Conhecendo o S7-1200

Agora você vai “enxergar” o S7-1200 como um conjunto: CPU, alimentação, I/O integradas, módulos e comunicação. O objetivo é aprender a ler o equipamento e entender o que cada parte faz.

Objetivos da Aula

  • Identificar os principais modelos de CPU e o que muda entre eles.
  • Entender I/O integradas e quando usar módulos de expansão.
  • Conhecer os tipos de módulos (DI, DO, AI, AO, comunicação).
  • Compreender alimentação 24 Vcc, aterramento e boas práticas de painel.
  • Entender o papel da Ethernet/PROFINET no S7-1200.
Resultado esperado: você consegue montar mentalmente um “painel mínimo” com S7-1200 e listar quais sinais entram/saem e o que precisa além da CPU.

1) Família S7-1200 (CPU)

A CPU é o “cérebro” do CLP: executa o programa, gerencia comunicação e fornece I/O integradas (dependendo do modelo). Na família S7-1200, é comum ouvir “CPU 1211 / 1212 / 1214 / 1215 / 1217” — quanto maior, mais recursos (em geral).

O que normalmente muda entre CPUs

  • Quantidade de I/O integradas: DI/DO (e às vezes AI/AO, dependendo da variante).
  • Memória e performance: mais espaço e mais velocidade para programas maiores.
  • Recursos tecnológicos: PTO/PWM, contadores rápidos, etc. (dependem do modelo/firmware).
  • Portas e comunicação: Ethernet/PROFINET é padrão; outros via módulos.
Regra prática: escolha a CPU pela quantidade de I/O e pelo tipo de sinal (digital/analógico), e não “apenas” pelo preço.

2) I/O integradas (na própria CPU)

Muitas CPUs S7-1200 já vêm com entradas e saídas digitais integradas — isso reduz custo e facilita projetos pequenos.

Como pensar as I/O integradas

  • DI (Digital Input): recebem 24 Vcc (tipicamente) de sensores/botoeiras.
  • DO (Digital Output): acionam cargas de comando (bobina de relé, contator via interface, lâmpadas).
  • AI/AO: normalmente exigem módulo específico, mas algumas variantes trazem AI integradas.
Tipo Exemplo Observação
DI Fim de curso / sensor indutivo Verificar PNP/NPN e necessidade de interface correta
DO Contator / solenóide / sinaleiro Usar relé/intermediário se necessário (corrente/isolação)
AI Nível 4–20 mA Exige condicionamento/módulo adequado
AO Setpoint 0–10 V para inversor Geralmente via módulo AO

3) Módulos de expansão

Quando as I/O integradas não são suficientes, você expande com módulos. No S7-1200, pense em três categorias: módulos de sinal (I/O), módulos de comunicação e módulos especiais.

Tipos mais comuns

  • SM (Signal Modules): DI, DO, AI, AO (expansão de sinais).
  • CM (Communication Modules): adicionam protocolos/portas adicionais (conforme necessidade).
  • SB (Signal Boards): “placas” compactas (quando suportadas pela CPU) para pequenas expansões.
Boa prática: separar “I/O de campo” por função ajuda manutenção: ex.: um módulo só para sensores de segurança, outro para comandos de motor, etc.

Quando vale usar relé intermediário?

  • Carga indutiva, corrente maior, ou necessidade de isolamento entre CLP e potência.
  • Quando você quer padronizar manutenção (relés plugáveis, bornes e fusíveis).

4) Alimentação e painel (24 Vcc)

CLP não é “só ligar e pronto”. Fonte, proteção e aterramento definem confiabilidade.

Checklist mínimo de painel

  • Fonte 24 Vcc dimensionada (corrente com folga + cargas auxiliares).
  • Proteções: disjuntores/fusíveis para circuitos de comando e fontes.
  • 0 V bem distribuído (barramento/borne) para evitar “mal contato” e ruído.
  • Aterramento e organização de cabos (separar potência de sinal).
Ruído elétrico: inversor, contatores e motores podem gerar interferência. Organização de cabos + aterramento correto = menos falhas “fantasma”.
AC (rede) -> Disjuntor -> Fonte 24Vcc -> ( +24V / 0V ) | +--> CLP (CPU) +--> Sensores 24V +--> Relés/contatores (via bobina 24V, quando aplicável)

5) Comunicação (Ethernet / PROFINET)

O S7-1200 usa Ethernet industrial para programação e integração com IHM, supervisório e outros dispositivos. No dia a dia, você vai ver isso como “porta RJ45” na CPU.

Para que a comunicação serve (na prática)

  • Programar e monitorar pelo TIA Portal.
  • Conectar IHM (painel Siemens/terceiros) e trocar tags.
  • Integrar com rede (SCADA, PCs industriais, gateways).
  • Diagnóstico e manutenção remota (quando a planta permite).
Dica de campo: documente IP, máscara, nome do dispositivo e porta do switch. Isso economiza horas na manutenção.

6) Endereçamento (visão prática, sem TIA ainda)

Você vai ver endereços como I0.0, Q0.0, M0.0. A ideia é simples: entradas (I), saídas (Q) e memórias (M).

Mapa mental de sinais

I = Inputs (entradas) Q = Outputs (saídas) M = Memory (bits internos / selagens) DB = Data Block (dados estruturados) Exemplo típico: I0.0 = Start I0.1 = Stop Q0.0 = Contator motor M0.0 = Selagem
Nota: o endereçamento real depende do hardware configurado no TIA Portal. Na Aula 03 você vai criar o projeto e ver isso “ao vivo”.

7) Exercícios (mão na massa — sem software)

Exercício 1 — Montagem mínima

Liste o que você precisa para um sistema com: 4 sensores digitais, 2 botoeiras (Start/Stop) e 2 saídas (contator + lâmpada). Pense em: CPU, fonte 24V, proteção e bornes.

Exercício 2 — Classifique os sinais

Para cada item: diga se é DI/DO/AI/AO.

Exercício 3 — Rede e diagnóstico

Escreva um “padrão de etiqueta” para o painel contendo: IP do CLP, nome do dispositivo, data, responsável e observações.

Próxima aula (Aula 03 — TIA Portal): criar projeto, adicionar CPU, configurar hardware e começar com tags.
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Engenheiro de Software Roberto Vitor Vilela